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Festival inFINITO

Vivências inFINITas: o adoecer e a morte transformam a vida

Tom Almeida e Solenta foram mestres de cerimônia do Festival inFINITO

As experiências com o adoecer e a morte também foram destaque no Festival inFINITO, realizado entre os dias 3 e 8 de setembro em São Paulo. Saiba mais sobre o evento na matéria do blog (acesse aqui). Na sexta-feira, segundo dia de palestras, vivências inFINITas no painel “Sonhos são ajustáveis” reuniu a psico-oncologista e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz; Evelin Scarell, analista de redes sociais do instituto e criadora do blog Lenço Cor de Rosa (link), e Regiane Hespanhol, paciente paliativa diagnosticada com câncer de mama metastático. Elaine Perini também paciente estaria presente, mas não pode comparecer. Conheça mais sobre o Oncoguia no site.

Luciana, Evelin e Regiane falaram sobre como os sonhos podem ser ajustados

Luciana explicou que o diagnóstico de câncer traz um medo inicial, paralisa, interrompe sonhos, mas é possível viver mais e melhor. A frase escolhida para dar nome ao painel é de Elfriede Galera, a Frida, que criou o projeto Velejando Contra o Câncer de Mama, e faleceu em julho.  O projeto agora é mantido por seu marido Jadyr Galera. Saiba mais no link.

Evelin contou sobre sua experiência de ajustar sonhos com o diagnóstico de câncer aos 23 anos. Entre eles, voltar a viver um relacionamento apenas em 2020, mas bem antes disso ela se casou e a questão da fertilidade que não foi avaliada pelos médicos antes que ela iniciasse o tratamento. Já Regiane, paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), se descobriu paliativa pelas redes sociais e conseguiu ressignificar sua vida com terapia. “Tudo que está acontecendo comigo tem sido incrível, apesar de doloroso”, afirmou. Mas foram muitos os desafios como um processo de depressão e uma crise no relacionamento com o marido.

Vida e morte

Confesso que chorei muito durante os quatro dias que acompanhei o evento e as vivências inFINITas que ele me trouxe. O painel “A vida em cada morte que vivi”, com a jornalista Mariana Ferrão, me emocionou muito. Longe das emissoras de TV, ela fundou a well-tech (startup de bem-estar e tecnologia) de impacto social, Soul.me, com foco em saúde mental e emocional. Descubra mais sobre o projeto no site.

Segundo Mariana, foi a primeira vez que ela apresentou uma palestra com este conteúdo. E ao longo de uma hora falou das perdas que impactaram os setênios de sua vida. Dos 7 aos 14, perdeu a avó materna, que lhe ensinou o amor incondicional. Para Mariana, a vida é recheada de mistérios, alguns que só vamos perceber com o tempo e se torna menos solitária se você compartilhar. “Conhecer algumas pessoas vale uma vida”, afirmou.

Entre os 14 e 21, já estudando Jornalismo na PUC-SP, perdeu sua mãe, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) hemorrágico. Com o tempo descobriu que aproveitaram da melhor maneira possível o tempo que passaram juntas, e como sempre estarão conectadas. Na primeira vez que ficou longe dos filhos, disse a eles: “se você sentir saudade me procure dentro de você”. A maternidade proporciona mesmo vivências inFINITas.

Mariana Ferrão contou como as mortes de familiares transformaram sua vida

Dos 21 aos 28 anos, morreu seu avô paterno e ela havia acabado de estrear no Jornal da Band. Uma morte que não pode chorar, o que segundo ela, é fechar os olhos para o que está vivo dentro de nós. No setênio seguinte, dos 28 aos 35, seu avô materno faleceu e diante de problemas familiares, ela entendeu que aquilo que não está resolvido com a morte pode matar o que ainda vive.

Mais recentemente, dos 35 aos 42, perdeu a avó paterna, quando estava se preparando para pedir demissão da Globo, onde apresentava o programa Bem-estar. O momento era de abandonar o que não fazia mais sentido: “Eu não preciso morrer para deixar morrer em mim o que já está morto”.

Solenta visita

Este segundo dia de evento terminou para mim com a palestra “Solenta Visita” com Mônica Malheiros.  A noite ainda se estendeu com a apresentação do monólogo “Travessias” de Elisabeth Kübler-Ross (pioneira em cuidados paliativos) com Thaia Perez. Mas, e como o encontro com uma palhaça pode ser estímulo para que a pessoa se reconecte com sua própria potência? Posso dizer que a palhaça Solenta, que foi mestre de cerimônia ao lado de Tom Almeida no Festival inFINITO, nos conectou de muitas maneiras, fazendo olhar o outro, abraçar, sermos todos inFINITO. E para ela também foram dias especiais de vivências inFINITas, descritas nas palavras amor, gratidão e encontro: “A gente tá aqui nesse encontro que tá trazendo muito amor e a gente fica muito grata”.

A psicóloga e arte-educadora sempre acreditou na arte e no humor como facilitadores nos processos de aprendizagem. Há 20 anos descobriu sua vocação principal, ser palhaça e e deu vida à Solenta. Em 2007, com Marina Campos, a Nina, criou a Palhaços a serviço das Pessoas (POP). Conheça mais no site.

Solenta encontra as potencialidades de cada um

E um dos serviços oferecidos por Mônica e Nina é o Solenta Visita. São encontros em forma de visitas residenciais para pessoas sem mobilidade, que recebem tratamento em casa. Histórias, músicas, fotos e outros materiais podem ser a porta de entrada para a dimensão V de cada um, como explicou Solenta. V de vida. Seu trabalho é encontrar o que é significante para cada pessoa.

Idosos

Grande parte dos visitados são idosos e este trabalho é maravilhoso, segundo a palhaça. “É sensacional pela experiência, sabedoria, toda a carga de vida, tudo que eles podem transmitir. Quando a gente tem uma maturidade e já entende da nossa finitude, a gente abre uma porta de liberdade que geralmente quando é um pouco mais novo ainda não tem. A gente coloca muitas regras, então as portinhas ficam mais fechadas para essa outra dimensão que é mais de luz, de brincadeira, de estar presente 100%”, descreve Solenta. “Eu adoro. Cada experiência de conexão que eu tive, que eu tenho com essas visitas, é assim indescritível”. (Katia Brito)

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