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Cidade Madura: exemplo de moradia na Paraíba

Quarto Cidade Madura foi inaugurado em Guarabira

Onde morar ao envelhecer? A habitação é um dos principais desafios em políticas públicas para o envelhecimento, como bem destacou a especialista Inês Rioto em entrevista ao blog (clique aqui). E nesta matéria você vai conhecer o projeto realizado na Paraíba, o condomínio Cidade Madura. Na avaliação do psicólogo e gerontologista Fabrício Oliveira, que atua como voluntário na unidade de João Pessoa, capital do Estado, a iniciativa traz um olhar diferente da gestão aos longevos que precisam de um lar.

Criado em 2014, o programa habitacional do governo paraibano, por meio da Companhia Estadual de Habitação Popular (CEHAP) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano, tem como objetivo promover o acesso à moradia digna. Além de casas adequadas para pessoas com mais de 60 anos e independentes, o Cidade Madura oferece aos moradores convivência social e lazer. Para ter acesso ao condomínio, idosos sozinhos ou casais devem ter renda de até cinco salários mínimos, ser residente na Paraíba pelo período mínimo de dois anos, preferencialmente no município onde o residencial está localizado, e não ter moradia própria. É cobrada uma taxa de condomínio com valor acessível. Saiba mais no link.

O condomínio tem 40 casas de aproximadamente 48 metros quadrados, com terraço, sala, banheiro, cozinha, área de serviço, e outras benfeitorias que combinam acessibilidade e sustentabilidade. Nas áreas comuns, um Centro de Vivência, Núcleo de Assistência à Saúde, praça com bancos e mesas para jogos, redário e equipamentos para ginástica, além de uma horta comunitária.

A primeira unidade foi inaugurada em junho de 2014 em João Pessoa. E agora já são seis em funcionamento, incluindo as cidades de Campina Grande (maio de 2015), Cajazeiras (março de 2016), Guarabira (maio de 2017), Sousa (março de 2018) e Patos (dezembro de 2018). Em 2015 o projeto recebeu o Selo de Mérito da Associação Brasileira de Cohabs e Agentes Públicos de Habitação, no Fórum Nacional de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Fabrício Oliveira

Entre as atividades realizadas no Cidade Madura de João Pessoa, destaque para o trabalho desenvolvido pelo psicólogo e gerontologista Fabrício Oliveira. “Em março de 2016 comecei a atuar no condomínio Cidade Madura voluntariamente, depois que fiz um ofício e elaborei um projeto de atuação com os idosos residentes. Faço um trabalho de psicoestimulação cognitiva e motora (memória e corpo) com jogos, músicas antigas, brincadeiras, oficinas artesanais em dias importantes como: Dia dos Avós, Dia do Idoso, Dia das Mães, entre outros”, conta. Além de João Pessoa, Fabrício já esteve no condomínio de Guarabira, onde palestrou sobre Alzheimer.

Fabrício além de atuar voluntariamente no Cidade Madura, faz palestras pelo Brasil (Reprodução Facebook)

Além do trabalho voluntário no condomínio, o psicólogo especialista em pessoas idosas ministra aulas de pós-graduação e em curso de cuidadores de idosos, e ainda palestras e oficinas pelo Brasil. Fabrício também participa de eventos em outros países e foi convidado recentemente para assinar uma coluna trimestral em uma revista de Portugal, a Envelhecer PT. “Hoje as grandes metrópoles estão mais acessíveis a cursos, debates e palestras voltadas ao envelhecimento. A cada dia as pessoas vão se conscientizando do assunto e deixando o preconceito de lado, principalmente a gerontofobia (a fobia de ficar velho)”, avalia.

E esta conscientização tem outro reflexo positivo, segundo o gerontologista: “As pessoas estão preocupadas em envelhecer bem, ficarem ativas mesmo em idades avançadas. E os profissionais estão se reciclando em cursos e oficinais de temáticas da longevidade, outros saindo de suas graduações já com projetos de trabalhos com idosos. Além das capacitações, começaram a discutir as políticas públicas voltadas aos idosos, cobrar de políticos mais projetos que beneficiem a demanda, e o mais importante mostrando aos longevos que eles podem se empoderar e serem protagonistas de suas próprias histórias”.

Porém, Fabrício Oliveira ressalta as barreiras e os desafios para que a longevidade ganhe ainda mais força nos debates. “São vários, como o próprio Estatuto do Idoso que fará 16 anos em outubro. É preciso que a sociedade se conscientize e faça o seu papel proporcionando mais comodidade e qualidade de vida aos idosos, e por fim que os gestores façam seu papel por inteiro criando leis e fazendo que se cumpra fora do papel para termos um país inteiro mais amigo do idoso e com qualidade vida cheguem aos seus centenários ativos e lúcidos”, finaliza. O psicólogo mantém o canal no YouTube Longevidade e Empoderamento (acesse aqui) e o blog: fabriciopsihomecare.wordpress.com. (Katia Brito / Fotos: Divulgação/SecomPB e Reprodução Facebook)

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