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Cultura

Festival virtual rec.tyty foca na arte indígena contemporânea

Entre os dias 17 e 25 de abril, mostra destaca manifestações e o impacto nas artes visuais, fotografia, cinema, música e pensamento

Imagem de Richard Wera Mirim, um dos fotógrafos participantes do festival virtual

Abrir espaço para que indígenas possam narrar e representar a própria história, mantendo vivas as heranças e tradições culturais, é a proposta do festival virtual rec.tyty. A mostra multilinguagens, que acontece entre os dias 17 e 25 de abril, idealizada pelo Instituto Maracá, tem direção artística de Anna Dantes, idealizadora da Dantes Editora e do Selvagem Ciclo de Estudos sobre a Vida. A programação estará disponível no site do Festival (galeria virtual), canal do Youtube do projeto Selvagem e Instagram/Facebook do Instituto Maracá.

Impulsionando o pulsar do coletivo, o festival foi costurado a partir do encontro de artistas visuais, fotógrafos, cineastas, músicos, pensadores e oficineiros. A mostra propõe um importante e significativo recorte da arte indígena produzida hoje em todo o território nacional.

Além das obras visuais, sonoras, cinematográficas e fotográficas, os visitantes terão a oportunidade de se aprofundar um pouco mais na cultura indígena, em suas tradições e contemporaneidades, por meio de um ciclo de conversas. Assim como conhecer a primeira etapa do projeto Nhe’ẽry, que por meio de oficinas artísticas com Jaraguá e Rio Silveiras, vem promovendo a recriação de mapas da cidade e do litoral de São Paulo, a partir da perspectiva e da língua do povo Mbya-Guarani.

O público terá ainda a chance de participar de encontros virtuais com convidados de quatro povos diferentes, que incluem conversas e demonstrações de cantos, danças, pinturas corporais, rituais e trajes que compõem sua identidade e expressão.

Arte e cultura indígena

Segundo os organizadores, a realização de um festival virtual representa a oportunidade de seguir com o fortalecimento da arte e da cultura indígena, nos circuitos artísticos e de produção de conhecimento, como medida de enfrentamento prático ao isolamento físico que tanto afeta as dinâmicas afetivas e sociais.

O nome do festival, rec•tyty, foi criado pelo cineasta indígena Carlos Papá Guarani, através da junção da sigla ‘rec’ – que pode tanto ser o ‘record’ das máquinas de imagens, como também ‘recordar’, no sentido da memória -, e a palavra guarani ‘tyty’, que aos nossos ouvidos soa como tâ-tâ, que carrega uma rede de significados, tanto na “poesia concreta” que dá nome ao batimento cardíaco, quanto numa  “metáfora” para a emoção, o calor humano, a pulsação dos afetos, a vida em seu movimento.

Arte produzida por Edilene Yaka Huni Kuin, uma das convidadas do rec.tyty

A Galeria virtual permanecerá aberta até o dia 30 de maio, com apresentações de Djuena Tikuna, Kunumi, Oz Guarani e Xondaro Kuery. Também podem ser conferidas as artes visuais de Aislan Pankaruru, Ana Yawalapiti, Arissana Pataxó, Carmezia Emiliano Macuxi, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Gustavo Caboco Wapixana, Hukena Yawanawa, Isael Maxakali, Jaider Esbell, Joseca Yanomami, Severino Pereira da Silva Potiguara, Tamikua Txihi, Xadalu Tupã Jekupé e Edilene Yaka Huni Kuin.

Em fotografia, a mostra traz os talentos de Dario Yanomami, Edgar Xakriaba, Fabiano Vera da Silva Guarani Mbya, Kamikia Kisedje, Kronun Kaigang, Kuarai Miri, Richard Wera Mirim, Ubiratã Suruí, Vhera Poty Guarani Mbya e Yara Ashaninka. Além dos curtas de Alberto Álvares Guarani Nhandeva, Alexandre Wera, Divino Xavante, Genito Gomes Kaiowá (+ Coletivo de Diretores), Gilmar Kiripuku Galache Terena, Isaka Huni Kuin, Patricia Ferreira Guarani Mbya, Paulinho Bororo, Renan Kisedje e Suely Maxakali.

O festival rec.tyty é realizado através do PROAC Expresso Lei Aldir Blanc, Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.

Instituto Maracá

Fundado por Cristine Takuá, Carlos Papá e Ailton Krenak, inspirados pelos maracás dos mais de 200 povos indígenas no Brasil, a intenção do Instituto Maracá, idealizador do festival rec.tyty, é fazer ressoar as vozes dos povos indígenas para o mundo, aproximando universos tão distantes e contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva.

(Fonte: Festival rec.tyty / Imagem principal de Richard Wera Mirim)

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