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Festival inFINITO

Festival InFINITO: experiências internacionais sobre o viver e morrer

Com o blog Nova Maturidade tenho tido a oportunidade de viver experiências impactantes e conhecer pessoas e histórias incríveis, como no no Festival inFINITO, realizado de terça-feira, dia 3 de setembro, até domingo, dia 8. O blog participou dos quatro dias de palestras do evento, na Unibes Cultural, em São Paulo, e a cada dia mais impactada pelo conteúdo da programação idealizada por Tom Almeida e seus parceiros do festival. O evento faz parte de um movimento que propõe ressignificar o viver e o morrer, e abordou temas como amadurecimento, adoecimento, terminalidade, morte, luto, prevenção ao suicídio e cuidados paliativos.

“Foram dias incríveis. Foi muito bonito tudo que eu pude ouvir tanto quem a gente trouxe de conversa quanto das pessoas. Cada palestra está tocando cada pessoa em uma diferente forma. E eu acho que o mais bonito é todo mundo saindo daqui com uma vontade de falar: ‘eu quero fazer parte desse movimento inFINITO’, ‘eu quero dar visibilidade sobre esse tema’, ‘eu quero falar sobre esse tabu’, ‘eu preciso fazer isso’. Então eu acho que o efeito está sendo superpositivo e eu fico muito feliz”, avalia Tom, idealizador do movimento que deu origem ao festival, e mestre de cerimônias ao lado da palhaça Soneta Sonada, de Mônica Malheiros (na foto principal os dois fazendo o símbolo do inFINITO). Para esta jornalista também foi uma experiência incrível, impactante e transformadora.

A segunda edição do festival começou com dois dias de workshops e uma edição especial do Cineclube da Morte, que exibiu o filme “A Partida”. Na quinta, quando o blog começou a acompanhar o evento, foi realizada a Conferência Internacional. A abertura coube a enfermeira e educadora americana Jessica Hanson. Que em sua jornada de cura depois da morte do filho de dois anos, criou o movimento “Orquestração da Morte”. Segundo ela, a morte pode afetar negativamente as pessoas se você não sabe lidar com ela.

Jessica deu novo sentido para a vida após a morte do filho de dois anos

A orquestração, segundo Jessica, é uma chance para uma morte melhor, com tempo para entender e cabe aos médicos e profissionais mostrar que se importam e explicar o que está acontecendo. Ela também falou da saturação dos sentidos, ou seja, permitir o toque, a fala, a visão, o que, segundo a enfermeira, vai proporcionar uma experiência que traga ferramentas que ajudem na cura.

Cuidados paliativos

O dr. Steve Pantilat, liderança internacional em Cuidados Paliativos, palestrou sobre “Esperança e Coragem”. Segundo ele, não a esperança de cura, mas que pode ser atingida e ser a base de uma vida boa mesmo com doenças graves. E a esperança mesmo nos momentos mais difíceis, segundo o médico paliativista, é o que faz ser quem somos e se torna um antídoto para a dor, assim como a coragem ajuda a ver o que está acontecendo, enfrentar e agir de acordo.

Dr. Steve Pantilat destacou a importância do amor e da empatia nos cuidados paliativos

Os cuidados paliativos, segundo Steve, ajuda as pessoas com doenças graves a viver melhor pelo maior tempo possível, sem falsas esperanças. Como disse o especialista, trata-se de administrar o voo para a próxima vida de forma que seja calmo e a pessoa aterrisse em segurança. Um trabalho que demanda amor e empatia. Saiba mais sobre cuidados paliativos na entrevista do blog com a médica geriatra e paliativista dra. Ana Cláudia Quintana Arantes, referência no assunto (acesse aqui). Aliás, a musa do festival inFINITO, como disse Tom e Solenta, esteve presente e palestrou.

Voluntariado

Roy Remer, diretor de educação e treinamento da Zen Hospice Project, em São Francisco, nos Estados Unidos, falou sobre “Voluntariado – Transformação através do servir”. A instituição dirigida por Roy tem como objetivo proporcionar uma boa morte para pacientes terminais. De acordo com ele, já na entrevista para se tornar voluntário ele precisou explorar sua relação com perdas.

Roy frisou a diferença entre servir e ajudar. Enquanto ajudar é dar ao outro algo que ele não tem, servir é encontrar o outro como alguém. E para servir pessoas no fim da vida, é essencial, segundo Roy, permitir que cuidem de outras pessoas, não tomar nada como pessoal e criar conexões mas manter limites claros, entendendo até onde é possível ajudar.

Roy Remer e Lucas Andrade trocaram experiências sobre hospices e voluntariado

Pelo segundo ano no festival inFINITO, Roy ainda participou de um bate-papo com o dr. Lucas Freire de Andrade, idealizador e diretor da Clínica Florence – Cuidados Paliativos e Reabilitação. Os dois convidados trocaram experiências sobre o funcionamento dos hospices americano e brasileiro, como são chamados os centros de cuidados para pessoas no fim da vida. Em especial o engajamento e suporte dos voluntários.

Arquitetura

Já o arquiteto Michael Murphy, fundador e diretor executivo da Mass Design Group, abordou a responsabilidade social da arquitetura, com prédios que atendam a dinâmica de cada comunidade, integrando noções de cura e equidade. Com projetos em países como Ruanda e Haiti, o grupo Mass também é responsável por memoriais, como o da Injustiça, inaugurado em abril do ano passado, na cidade de Montgomery (Alabama) sobre a desigualdade racial nos Estados Unidos. Um outro projeto está em andamento para vítimas de arma de fogo. Conheça mais sobre o grupo no site (clique aqui).

Olhar e servir

E para fechar o primeiro dia de palestras, a musa do evento, dra. Ana Cláudia Quintana Arantes. Para ela, os palestrantes do primeiro dia destacaram a necessidade de desenvolver e apresentar compaixão, assim como a capacidade de olhar, de estar a serviço do outro, de ter coragem para fazer o que precisa ser feito. Os profissionais de saúde, segundo Ana Cláudia, com técnicas e certificados se protegem da possibilidade de encontro com os pacientes.

Para a musa do festival inFINITO, é preciso “lavar” os olhos, por meio das lágrimas, para enxergar o outro como ele é e enxergar o que não se via antes. A mudança, segundo Ana Cláudia vem pelas atitudes, não somente pelas palavras, que, embora sejam boas para compartilhar, se não vierem de dentro, não transformam, são vazias.

Programação

Segundo Tom Almeida, toda a programação do festival inFINITO foi pensada por ele e a equipe para inovar e provocar os participantes. “Foi uma forma de realmente trazer coisas que nos façam pensar que é um evento para falar sobre viver e morrer. No desenho que eu propus esse ano, a gente olhou sobre os ciclos da vida”, explica.

Na sexta-feira, o tema foi maturidade e como olhar para a morte a partir desta perspectiva, e depois, adoecimento. No sábado, terminalidade e a morte, e no domingo, prevenção ao suicídio e luto. “A gente passa por todos os ciclos para olhar para a morte e também para a vida, como tudo isso está interdependente. São diversas palestras, falas, workshops e painéis de diferentes perfis. Não é um evento médico, é um evento humano. Uma conversa aberta para todo mundo”, destaca Tom. Nos palcos do festival, pacientes, familiares, escritores, e atrações também com cinema, literatura e teatro.

E este é apenas o segundo ano do festival inFINITO. “Eu comecei a me envolver nisso há menos de três anos e já veio tão intenso, tão intenso, que não teve tempo de começar pequeninho. É uma revolução que a gente precisa fazer. É novo, mas está amadurecendo a passos largos”, explica Tom, que começou na área de Comunicação e depois fez uma transição para Desenvolvimento Humano. “Eu digo que hoje eu tô inteiro, toda minha historia e minha experiência está empregada nesse assunto”. E já está confirmada a edição de 2020, além de encontros ao longo do ano. Saiba mais sobre o evento e este movimento que aos poucos vai impactando o Brasil no site festivalinfinito.etc.br. (Katia Brito)    

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