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Escuta, mobilização e residencial LGBT em debate

A cidade de São Paulo conquistou em dezembro de 2018 o selo inicial do programa “Cidade Amiga do Idoso”, do governo do Estado, que aborda transporte, moradia, participação social, apoio comunitário e serviços de saúde, respeito e inclusão social, comunicação e informação, participação cívica e emprego, espaços abertos e prédios. Segundo informações do governo do Estado, 270 municípios, assim como São Paulo, têm o selo inicial aprovado, destes seis alcançaram o selo intermediário e dois chegaram ao selo pleno.

Também em 2018 foi criado na capital criado o Grupo Gestor Intersetorial de Políticas Públicas para o Envelhecimento, que reúne 15 secretarias para a articulação de uma rede de atendimento. E depois de uma escuta qualificada com idosos da cidade, agora será feito um trabalho com a população LGBT. O anúncio foi feito por Diego Felix Miguel, gestor do Centro de Convivência e Comunicação do Centro de Referência do Idoso da Zona Norte (CRI Norte), órgão da Secretaria de Estado da Saúde, durante o 3º Seminário Velhices LGBT, realizado na semana passada no Sesc Pompeia. Veja mais sobre o evento no blog.

Os trabalhos serão conduzidos pela Coordenadoria de Políticas para a Pessoa Idosa, que há dois anos é comandada por Sandra Regina Gomes. O órgão é vinculado à Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, que tem à frente Berenice Giannella, e, assim como o Sesc, é parceira da ONG EternamenteSOU na realização do seminário.

Encontros com grupos focais formados pela população LGBT devem ser realizados ao longo do segundo semestre pela coordenação e os resultados serão apresentados no próximo seminário em 2020, que também contará com o apoio da Secretaria. “Nós já temos o resultado da população idosa da cidade de São Paulo, o que nós queremos é adaptar o conteúdo das perguntas sob a ótica da velhice LGBT. Como é o transporte para a população LGBT, porque para o idoso é agressivo, desrespeitoso, mas para a população LGBT são outras questões, vai ser muito legal”, destaca Sandra, que é mestre em gestão e políticas públicas e especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Sandra reforça a importância da Coordenadoria não estar vinculada à saúde ou assistência social, como normalmente ocorre. “Eu acho que o mais importante é dizer como é legal essa política do idoso estar dentro de Direitos Humanos. Ela não está na assistência, não está na saúde, porque velhice não é doença, e todo mundo acha que tudo que o velho precisa é assistência social, e não. Ele precisa de tudo, precisa de transporte, educação, saúde, previdência, moradia”, defende.

Sobre a parceria com a EternamenteSOU, Sandra salientou a importância do trabalho desenvolvido por eles, focado no envelhecimento da população LGBT. “A gente não trabalha sozinho, não tem como. É preciso se unir com pessoas e instituições onde você possa criar uma rede que de conta dos quatro eixos do envelhecimento ativo: saúde, participação, proteção e principalmente educação ao longo da vida. Ter uma organização que olhe o envelhecimento sob a mesma ótica só fortalece”, avalia.

Porém apesar dos avanços em prol das pessoas idosas, para a responsável pela coordenadoria, ainda estamos longe do ideal. Ela participou da mesa que abriu a programação da tarde do seminário, ressaltando a necessidade de mobilização e participação: “O tema do envelhecimento tem que ter pauta na agenda de todos. Não adianta o empresário não colocar na pauta dele, os bancos têm que colocar a pauta do envelhecimento, o comércio, e a população LGBT também”.

Seminário

Uma performance do artista e ativista cultural Bayard Tonelli, de 72 anos abriu a programação da tarde no teatro do Sesc Pompeia. Ele escreveu “Dzi in versos” sobre seu tempo no grupo teatral Dzi Croquettes, que fez história nos anos 1970 e 1980. Segundo Tchaka Drag Queen, que fez o cerimonial do seminário, ele foi um dos precursores da cultura drag no Brasil. Bayard falou sobre a evolução do planeta Terra e como cada um pode ser o que quiser ser e ninguém pode impor nada diferente disso.

Bayard abriu a tarde do evento com uma performance teatral

A primeira mesa da tarde foi coordenada por Matheus Braz, diretor de Comunicação da EternamenteSOU, e além de Sandra, trouxe Federico Armenteros, de 67 anos, educador social e presidente da Fundacion 26 de Diciembre, que existe desde 2010 em Madrid, na Espanha. Em destaque a primeira instituição de longa permanência para idosos (ILPI) LGBT do mundo, lançada pelo grupo espanhol. O prédio foi cedido à fundação no ano passado.

Um dos slides apresentados por Sandra dizia que “quanto mais acesso a informação, mais as pessoas estarão capacitadas a defender seus direitos e garantir condições mais favoráveis de existência, contribuindo para que a sociedade avance no sentido de assegurar os seus direitos essenciais, como a vida, a liberdade e a dignidade”. É no que eu acredito também, é o que move a dar continuidade ao blog. Outro ponto destacado por ela foi que as políticas públicas só se efetivam, só se desenvolvem com o empenho da sociedade organizada, tendo voz nos conselhos, participando das consultas públicas, estudando, lendo, debatendo sobre o envelhecimento ativo.

Visibilidade

Já Federico defendeu a necessidade de espaços de fala para que as pessoas LGBT deixem a invisibilidade, e que não se pode perder a história, uma vez que todos têm uma grande importância. Ele elogiou o fato de existirem centros de convivência em São Paulo, o que não há na Espanha. E lá, assim como aqui, há leis que não se aplicam porque faltam recursos para que elas se efetivem. Sobre o residencial, afirmou que as pessoas não entendem ainda que se tem esta necessidade de um espaço onde a diversidade seja visível. Uma pessoa da plateia perguntou se o ideal não seria a inclusão em instituições já existentes, mas todos da mesa argumentaram sobre a necessidade de um lugar onde se possa conviver com pessoas com vivências e propósitos semelhantes.

Federico contou a experiência da fundação espanhola

O evento prosseguiu com novas apresentações de Tabatha Aquino e a mesa Caminhos para a Esperança do Envelhecer, coordenada por Edith Modesto, pesquisadora sobre diversidade sexual e identidade de gênero, e fundadora e presidente da ONG GPH – Grupo de pais de LGBTIs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo). Participaram Bayard e Dimitri Sales, mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC-SP, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Estado de São Paulo (Condepe) e secretário-geral da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB/SP). (Katia Brito)

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