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Empreendedorismo feminino em alta depois dos 50

Empreendedorismo feminino mais que um modismo, união de forças

No país em que mais se empreende no mundo, esta matéria destaca o empreendedorismo feminino e a crescente participação das mulheres com mais de 50 anos em busca de propósito e independência financeira. E para falar sobre empreendedorismo feminino convidei Liliane Almeida, consultora de micro e pequenas empresas nas áreas de marketing e gestão e pesquisadora pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Segundo Liliane, dados da Rede Mulher Empreendedora (acesse pelo link) indicam que a participação das mulheres com mais de 50 anos aumentou consideravelmente. “O motivo para empreender nessa faixa etária não tem o dinheiro como fator fundamental, mas o propósito de vida, a experiência e resiliência são lemas importantes para esse público”, avalia.

E o que falta para que cada vez mais mulheres empreendam? Liliane lista os resultados do levantamento GEM (Global Entrepreneurship Monitor) que apresenta dados sobre o empreendedorismo e empreendedores no Brasil: “Segundo o GEM (2018), faltam políticas governamentais (ex. muita burocracia, legislação tributária complexa); e escassez de apoio financeiro (em especial para empreendimentos iniciais); precariedade do sistema educacional básico”.

Mas, não é só entre as mulheres 50+ que o empreendedorismo vem crescendo. Os dados do GEM, de acordo com Liliane, apontam um crescimento, em 2018, no percentual de empreendedores entre 45 e 54 para 16,2%, enquanto em 2017 era de 13,9%. Já os empreendedores acima de 55 anos tiveram um aumento tímido de 7,1% em 2017 para 7,7% em 2018.

O GEM de 2018 revela ainda que ter um negócio próprio faz parte do sonho do brasileiro, e não só os 50+. “No mesmo ano, 38% dos brasileiros tem um empreendimento ou estão envolvidos em um, a faixa etária considerada é dos 18 aos 64 anos, e isso representa 51,9 milhões de pessoas. A participação feminina vem crescendo, em 2003 era de 46,8%, em 2016 e 2017 já era 51,5% e em 2018 48,7%”.

Empoderamento

Voltando para elas, o que contribui para o fortalecimento do empreendedorismo feminino? Para Liliane, “a dinâmica do mercado brasileiro e a vontade de empreender contribuem para a presença da mulher no empreendedorismo, no entanto, a necessidade e o empoderamento feminino contribuem com essa participação”.

Em vez de empreender por oportunidade, muitas mulheres acabam empreendendo por necessidade. “Contribuem também com esse cenário, desafios de carreira no mercado de trabalho como dificuldade de ascensão no plano de carreira, a maternidade e a falta de política para a equidade de gênero dentro das organizações”, explica a pesquisadora.

Para vencer barreiras, como as reveladas pela pesquisa “Empreendedorismo Feminino e a Metanarrativa do Crescimento Econômico: Uma Revisão Crítica das Pressupostos Subjacentes”, de 2017, Liliane afirma que o caminho é longo. Entre os desafios estão a comparação de sucesso com empreendedor masculino e empreendedora feminina, acesso limitado ao financiamento e exclusão das redes masculinas. “Essas barreiras podem ser eliminadas com ações individuais do empreendedor feminino: melhorando habilidades, nível de educação e atividades de rede e experiência gerencial”, orienta.

E não há mais negócios exclusivamente femininos ou masculinos, como explica Liliane: “As mulheres circulam e já são referência em territórios antes frequentado apenas por homens. O Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) fez uma pesquisa sobre as atividades que as mulheres mais empreendem: atividades ligadas ao comércio varejista (33%), alimentação (20%) e indústria de transformação e inovação para o setor de serviços (12%). Este último segmento inclui as áreas de beleza, saúde, moda e estética, que são as que mais crescem no Brasil, mesmo com a crise”.

Startups

Elas também estão na tecnologia. “Sabemos que o segmento tecnológico é uma área que já foi carimbada como área masculina. Mas devido à atuação da mulher e programas para incentivar mulheres na tecnologia, esse cenário está mudando e cada vez mais mulheres se destacam”, ressalta Liliane.

Porém, de acordo com dados da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), os homens ainda são maioria e apenas 15,66% das startups atingiram a igualdade de gênero dentro dos grupos de trabalho. “O desafio também engloba os cargos de gestão, nos quais 14,52% são ocupados por mulheres e 85,48% por homens. As mulheres estão apostando nas startups, principalmente as mais jovens”, destaca.

A educação ainda é o maior desafio para implantação de uma cultura empreendedora. “Infelizmente não temos um sistema de ensino de qualidade para ensinar os indivíduos a empreender. E infelizmente, o empreendedor não busca ajuda ou busca em momento tardio. Um ponto muito importante além de ofertar conhecimento é a criação de políticas governamentais para desburocratizar, oferecer acesso ao crédito e incentivar o desenvolvimento de competências por meio de programas direcionados ao público empreendedor feminino”, alerta.

Por outro lado, atualmente, segundo Liliane, algumas escolas já investem e oferecem formação complementar contribuindo com a disseminação do empreendedorismo oferecendo disciplinas, feiras, palestras, workshops, projetos etc.

Mulheres 50+

E para as mulheres de mais de 50, como estimular o empreendedorismo? “As mulheres mais velhas já estão em uma fase mais madura e carregam uma experiência de vida e de mercado. Incentivar essas mulheres está relacionado ao propósito de vida e o quanto podem contribuir com outras mulheres que estão começando a empreender e podem contribuir com a experiência e conhecimento técnico”.

Será possível empreender gastando pouco? Entre as opções de negócio para as mulheres 50+, Liliane salienta o segmento de serviços, ofertando atividades que tenham expertise e que necessitam de pouco investimento, como aulas particulares em casa ou on-line. A rede, que é sócia, www.mulherforte.com, desenvolveu um e-book com dicas para empreender investindo pouco. Saiba mais no site.

Liliane

Liliane pesquisa sobre empoderamento feminino e empreendedorismo (Divulgação)

Pesquisadora formada pela ESPM, Liliane é doutoranda em Administração também pela instituição, onde cursou o mestrado em Administração – Gestão Internacional. Suas áreas de pesquisa são interação entre universidade e empresa, parcerias e alianças estratégicas com base na teoria da dependência de recursos, empoderamento feminino e empreendedorismo. É professora universitária e consultora para pequenas e micro empresas em marketing e gestão, além de palestrante e coaching pessoal.

Sua vivência no mundo do empreendedorismo começou na adolescência com a mãe. “Ela era empreendedora por necessidade que atuava na informalidade por falta de informação. Depois que me formei segui minha carreira de formação e quando decidi iniciar minhas pesquisas para o doutorado eu decidi estudar o Empoderamento e o Empreendedorismo Feminino. Foi estudando e pesquisando que decidi ajudar outras mulheres que empreendem ou gostariam de empreender, com produção de conteúdo, palestras e redes estratégicas”, conta.

Liliane se encontrou no movimento pelo empreendedorismo feminino. “A minha maior motivação é ver mulheres atuando no que gostam e alcançando a independência financeira. Sempre fui simpatizante do movimento feminino e contribuir com a atuação da mulher faz parte do meu propósito de vida”, finaliza. (Katia Brito / Imagem de rawpixel por Pixabay

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